fev 1 2010

O espírito de Dury (sex & drugs & rock & roll)

Estreou em 8 de janeiro o filme que conta a história do pai da expressão “sexo, drogas e rock&roll” (se não pai ‘biológico’, ao menos foi ele quem popularizou o termo) Ian Dury, uma figura sem pares na história do rock. No filme Dury é interpretado pelo ator Andi Serkis (exato, ele mesmo, o Gollum) que procura mostrar a trajetória dessa criança com poliomielite, astro do rock tardio e que veio a transformar-se em um dos maiores artistas da Inglaterra no século XX.

Pessoalmente conheci o velho Dury em 2000, ano que esse cara todo torto e estranho deixou nosso ‘plano material’ e foi fazer jams com o Zappa em algum boteco etéreo. Lembro que vi de relance uma reportagem na tv, da qual guardei as imagens de um cara sequelado, com o corpo completamente tapado, chapéu e luvas, nem um pouco parecido com outro rocker qualquer…acontece que Dury nunca foi um qualquer! O fato mesmo de haver citado o Zappa anteriormente também não é mero acaso (poderia lembrar também do Pete Townshend, Syd Barret, Brian Wilson…), ambos são peças únicas nesse quebra-cabeças do rock. Também não foi ao acaso que chamei Dury de ‘velho’, sim, sua primeira banda, Kilburn & the High Roads, foi formada em 1970 quando ele tinha 28 anos e o primeiro sucesso só aconteceu aos 35, algo bem pouco comum ainda hoje em uma indústria acostumada em pré-fabricar conceitos de sucesso. Além da idade Dury tinha o corpo deformado em função da poliomielite, era baixinho, cabeçudo e se apresentava vestido com longas roupas, luvas pretas e cachecol no pescoço. Ele praticamente não se movimentava no palco, deixando toda a expressividade para seu olhar irônico e transformando cada show em uma visão totalmente excêntrica e inesperada.

Após seu primeiro sucesso com o single “Sex & Drugs & Rock & Roll” a banda assume o nome “Ian Dury and the Blockheads” chegando ao auge da carreira vendendo centenas de milhares de cópias na Inglaterra e emplacando várias músicas nas paradas inglesas. Em 1978 é lançado o disco “Do it Yourself” outro marco na carreira da banda. Porém o sucesso não foi repetido durante os anos 80, em grande parte pela saída do guitarrista Chaz Jankel, o que levou ao fim dos Blockheads.

Entre um e outro experimento musical, como o disco “4000 Weeks Holiday”, Dury decide deixar de lado o estúdio e passa a se dedicar ao cinema. Seu primeiro trabalho expressivo foi em “King of the Ghetto” da BBC, além disso participou com pequenos papéis em vários filmes incluindo “Pirates” de Roman Polanski, “Hearts of Fire” filme estrelado por ninguém menos que Bob Dylan, “Bearskin: An Urban Fairytale” onde contracena com Tom Waits e a adaptação dos quadrinhos “Judge Dredd” com Sylvester Stallone. Na mesma época Dury escreveu o musical Apples, realizado no London´s Royal Court Theatre, e mais tarde também participou da produção do filme “The Crow: City of Angels” a sequência do filme cult “The Crow” com Brandon Lee, no mesmo ano (1996) em que foi diagnosticado o câncer que viria a ser a causa de sua morte. Dury foi dos primeiros artistas da “era AIDS” a chamar atenção para o até então desconhecido “sexo seguro”. Tornou-se embaixador da UNICEF e junto com figuras como Robbie Williams promoveu várias campanhas humanitárias incluindo a vacinação contra a
poliomielite em muitos países ao redor do globo.

A morte de Dury foi falsamente anunciada em 1998 na rádio XFM por Bob Geldof, mas tratava-se de um boato proveniente de ouvintes. A última apresentação banda Ian Dury & The Blockheads foi um show beneficente em favor de uma fundação de combate ao câncer. Na época Dury estava visivelmente debilitado e teve de ser ajudado no palco. Sua morte ocorreu em 27 de março de 2000, aos 57 anos. Como afirmou o The Guardian na época, foi o fim de “um dos poucos artistas realmente originais da música Inglesa”. Passada uma década a vida de Dury ainda inspira muitos, incluindo seu próprio filho Baxter Dury, também cantor. Além do filme que estreou em janeiro deste ano, em 2009 um musical sobre sua vida intitulado “Hit Me! The Life & Rhymes of Ian Dury” foi apresentado no Leicester Square Theatre em Londres. O espírito de Dury continua vivo, basta lembrar sua fala em uma de suas últimas entrevistas “Meu medico disse que 51% da luta contra o câncer vem do seu espírito. Eu quis abraçar outras pessoas que enfrentavam o mesmo problema. Eu tenho 56 anos e provavelmente sou mais alegre e divertido que as pessoas da minha idade. Eu considero o trabalho como uma distração. É muito melhor do que ficar em casa sentado, mórbido, esperando o fim. Eu sempre me senti uma pessoa de muita sorte na vida, jamais reclamei dos meus problemas. Perdi minha primeira companheira e quando descobriram que eu tinha essa doença tive a sorte de conhecer Sophy. A única coisa que me entristece é saber que não poderei ver meus filhos pequenos crescerem. E eu não me importo se serei lembrado ou esquecido quando morrer, eu quero apenas viver.”

E que tenha longa vida, sempre!


jan 4 2010

Minha lista de “top 10″ cicatrizes

Hoje no banho percebi que possuo um número considerável de cicatrizes, não tantas quanto o meu amigo Yogurte (que dizia ser algo extremamente interessante em questão de sex appeal…), mas são consideráveis. Acho cicatrizes essenciais, todo mundo deveria ter algumas, indicam resiliência, coragem e estupidez… não nessa ordem. Como uma típica revista inglesa sensacionalista resolvi listar o “top 10″ das minhas cicatrizes:

  1. Grandona na cabeça resultado de um ‘namoro’ com um bulldog inglês aos 2 anos de idade… dezenas de pontos e um punhado de vacinas.
  2. Uma ‘linha’ de ‘fora à fora’ no pé direito adquirida aos 9 anos enquanto tentava ligar a moto do Polenta, ainda com o cano quente… =\
  3. Menor da cabeça, também proveniente do mesmo episódio com o cachorro citado anteriormente.
  4. Joelho direito mantém lembranças de quando me quebrei andando de bicicleta caindo nos paralelepípedos (adoro essa palavra) perto da AABB.
  5. Mão direita que foi atravessada por um espeto enquanto tentava espetar linguiça num acampamento aos 6 anos.
  6. No lábio por ocasião de minha queda no aniversário de 8 anos enquanto ensaiava o discurso pendurado em um banquinho sobre as britas.
  7. Pulso direito quando me atirei da sacada da casa da Justina pensando que eu era o Super Homem.
  8. Indicador esquerdo que foi de encontro à um facão enquanto fazia palitinho de bambus.
  9. Pescoço também por causa do cachorro.
  10. Coleção de pequenas cicatrizes nas costas e nos cotovelos por motivos variados (pelo conjunto da obra).

Era isso… nonsense…


jan 3 2010

Ausentes

Ainda cavo um buraco pra morar nesses morros...

Um ano novo sem metas, sem propostas, sem compromissos, diferente de todos os anos anteriores (ou quase todos eles). Não reavaliei minha vida, não me propus a mudar, não fiz esquemas para dominar o mundo, nada… somente fui buscar esperança em São José dos Ausentes, apropriado não?

Longe dos fogos, dos “cornolejos universitários” (e todas as variantes ‘universitárias’ que você possa imaginar), de computador ou  celular, passei a virada do ano ao som dos Traveling Wilburys, Dharma Lovers, Pearl Jam e Beatles, graças aos vizinhos de acampamento.

Vou descendo na brisa dessa convenção toda de “ano novo, vida nova” na ausência de qualquer plano e, justamente por isso, sempre velado por São José dos ausentes.


ago 22 2009

Virtute Tua Fiat Pax In

Rubão e seus papos cabeça, hein seu Conforto?

Rubão e seus papos cabeça, hein seu Conforto?

(Escrevi esse texto sobre severo efeito de vinho barato, não quis alterar nada… amostra grátis de reflexões filosóficas numa madrugada fria no Mato Castelhano)

Sempre passa algum tempo até que eu resolva escrever algo que preste. Não sei realmente se isso vai prestar, talvez amanhã, depois do vinho que se aloja no meu cérebro ter partido, isso já não faça qualquer sentido. Mas agora eu simplesmente sinto o impulso e continuo escrevendo. Experimentei uma tremenda catarse hoje junto com meu velho. Começamos na varanda da casa, entardecer, uma fornada de pães assando no forno a lenha então eu, seu José e o pai tomando um trago próximos ao fogo, acho que faziam uns 5 °C  (chegaria a - 7 °C na madrugada) e a única coisa que nos fazia conversar e se aquecer era aquela cachaça com limão. Eu trabalho demais, sou confuso e complicado, e meu pai em sua simplicidade quase de um buda campeiro sempre me deixa as raízes expostas.

Vou pro mato com o velho sempre que estou em transição, que estou sem caminhos, e aquele velhinho calvo de cabelos brancos como a geada me traz de volta às coisas simples. Ser homem em um tempo em que quase somos dispensáveis, em um tempo onde somos proibidos de ser masculinos é algo extremamente foda, para poucos. A masculinidade é uma característica quase extinta e mal entendia, a atividade, a força, e não a brutalidade, o cultivo da virtude (derivada de ‘vir’ ou ‘varão’ era entendida como qualidade requerida à todo o representante do gênero… o que pelo que parece caiu fora de moda) foi esquecido e outras coisas suplantaram a prática.

Eram 6h da matina com -7 °C e um loco fotografando...

Eram 6h da matina com -7 °C e um loco fotografando...

Hoje ter testículos é ser tosco ou cafajeste do pior tipo, quando eu tive um exemplo completamente diferente cheio ideais cavalheirescos, camaradagem e amizade, uma pessoa que me colocou em trilhos dos quais peno para fugir não pela imposição mas pela brandura de seu caráter genuinamente masculino. Nesse ponto que encontro a resposta para ‘o que é ser homem hoje’ … considero meu pai um um fóssil, um simples exemplo do que poderia ser,  fez horrores no início da vida, de bebedeiras exemplares até as noites malucas de carnaval porém sempre manteve o bom coração que me parece genético (só na ascendência…) então, com seus erros e acertos sempre cordato, camarada quase militar, mas muito sensível à tudo, sentimentos e natureza e, sobretudo, uma pessoa que não tem medo de chorar, de amar seus guris e expor sentimentos verdadeiros e nunca exagerados… Não sei se é isso que deveria escrever, ainda escrevo um texto bom pra esse velho, mas hoje é isso que quero falar. Não é a toa que o velho é Pedro Heitor, pescador como o Pedro e herói como o Heitor.

Ser homem e aguentar a barra é foda e contraditório, mas acho que meu velhinho me cantou a pedra, por ele eu sei da importância de um pai, aquela figura misteriosa, daqueles de verdade.

São Bento diria “virtute tua fiat pax in” e eu diria amém ao velho padre, da mesma estirpe do Heitor…


jul 31 2009

Um semestre Kinder Ovo em imagens…

Nunca se sabe...

É, como diria alguém que não lembro quem, o futuro é uma espécie de Kinder Ovo desproporcionalmente surpreendente e de preço variável, nunca se sabe o que esperar nem quanto custa o ’susto’. Pois se no início do ano me falassem desse Kinder Ovo eu duvidaria totalmente da tal premonição… acho que ainda estou muito perto para fazer uma análise produtiva dessa  história, mas vamos aos fatos…

O início do ano não me deu nem tempo de respirar, meus planos, todos, dos simples até os mais audaciosos foram pro saco, tal qual os sabichões gregos gostavam de falar ‘aos deuses apraz jogar com os planos dos mortais’ e dessa forma que o velho Cronos me ensinou que Eros, esse pirralho,  é travesso um horror e pode chutar tua bunda quando está de ‘manha’.  Não tive dinheiro nem pra passagem de ônibus, não teria nem pra comer se não fossem os agiotas furiosos e meus velhos. Trabalhei com 5 disciplinas totalmente diferentes entre si e, dentro disso, com 100 pessoas também muito diferentes entre si. Tive centenas de idéias, ajudei a desenvolver outra centena. Falei por 400h, ou uns 14 dias, sem parar pra tomar um chá. Briguei e quis greve, revolução, incitei (tendo ou não respostas) os cérebros não tão acostumados à pensar, fui palhaço e fui rei (mais palhaço do que rei). Fiz uns lances legais, mas nem metade dos lances legais que gostaria de fazer… e no final, montando a surpresa desse Kinder Ovo tudo me pareceu tão bonito, surpreendente e transformador.

Não tenho como explicar muito as conversas que tive com pessoas notáveis, as idéias que povoaram minha cabeça, os choros eventuais, o que foi feito ou não, onde estive e toda essa dança de fantasmas, esse sonho que a gente nem se dá conta… por isso coloco aqui algumas imagens (não estão em ordem cronológica, nem de importância, nem nada… caos total!) de um semestre Kinder Ovo muito caro, difícil, porém com ótimas surpresas =)

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Procurando o fim do arco-íris e ... woot! o/

zumbis

Zumbis, Cine Trash e Thriller revival

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Serigrafia na superfície matinal de um sábado... q é isso professoooor ? =p

galera

Magic trip à POA multidão do centro do ônibus

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Designers felizes =D Vai rezando Jéssica!

Viagens pelo interior desse Rio Grande

Viagens pelo interior desse Rio Grande

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Diga "Confortin!" 3x em um posto qualquer que ele aparece...

Os 'fundadores' do Templo de São Elvis e São Michael

Os 'fundadores' do Templo de São Elvis e São Michael

Bastidores do ECOATIVIDADE e os amigos do CETAP

Bastidores do ECOATIVIDADE e os amigos do CETAP

Você não vale nada mas eu gosto de você!

Você não vale nada mas eu gosto de você!

Um 'hare-krishna' na formatura da Carol...

Um 'hare-krishna' na formatura da Carol...

Odsal Ling em um bom feriado de abril

Odsal Ling em um bom feriado de abril


jul 18 2009

Na Rodoviária

Minha edição tem essa capa típica dos 80 =)

Minha edição tem essa capa típica dos 80 =)

Na rodoviária, com um pastel velho na mão e lendo. Sem tempo, só digo que ”o nosso senso comum nada mais é que a voz de milhares e milhares desses fantasmas vindos do passado. Fantasmas e mais fantasmas. Fantasmas procurando um lugar entre os viventes”.

Capinha da nova edição de 2007... mas sempre prefiro sebo o/

Capinha da nova edição de 2007... mas sempre prefiro sebo o/

EDITADO: Escrito uma semana atrás esse trecho pertence ao livro “O zen na arte da manutenção de motocicletas” que agora conta com uma edição bem mais ‘fofa’ do que a que eu possuo (de 1989). Fazia, penso, um par de anos que esse livro me olhava com ares de reprovação lá do alto da minha estante… comecei a ter aulas de motoqueiro e resolvi encarar durante esses meus dias um pouco mais folgados para entrar no clima e ver se me animo a pegar ‘la poderosa’ e desaparecer nessas colinas…


jul 10 2009

29

Como seria bom eu escrever melhor e não simplesmente largar sequências de palavras mais ou menos compreensíves e assim poder representar melhor o que tenho pensado, experimentado, sentido…

Hoje, são 29, e esses 29 não são só hoje, são todos os 29. Esses 29 são 10 primos (Sophie Germain diria que são 6).  Minha mãe, com mais de dois 29, me diz que parece tão pouco o tempo passado quando ela tinha só um 29. Mas por que 29 é mais importante que 28 ou 30? É que 29 não é nem um nem outro, 28 é ainda “vinte” e 30 deixa os “vinte” no passado. Ter 29 é estar em transição. Um número dual por si só (2+9=11 e 11 podem ser 2) é ser um adolescente velho ou morto, então como toda a morte, ter uma outra vida. O Morrison nem chegou aos 29, a Janis também não.

É nos 29 (o computador diria 11101) que não dormimos, e a ‘hora do lobo’ anunciada, é por aqui que encontramos. É nos 29 que todo o Sidarta acha a saída do castelo e que todo o Cristo encontra um João que o batiza então inicia seu ministério. Uma idade boa para morrer diria o Hendrix e uma idade boa para começar tudo novamente diria Van Gogh. Dizem que é por ai que Saturno volta, então aos 29 Renato, o russo, escreveu Vinte e Nove e decidiu começar a viver quando 29 anjos o saudaram e teve 29 amigos outra vez.

Não era isso mesmo o que devia dizer. Mas estou 29, exatamente agora, não tenho mais tempo pois antes de terminar o minuto de 19:10 (que também são 29) já não estou mais…


jun 19 2009

Caminhando até Viamão

Pintura do mural com as emanações de Guru Rinpoche

Pintura do mural com as emanações de Guru Rinpoche

Mais uma trip artística/espiritual no horizonte, estou indo para a capital, mais precisamente Viamão, começar o curso de Thangka com a Tiffani H. Gyatso no CEBB Caminho do Meio.  Para entender um pouco do que se trata vai ae um “controucê-controuvê” da Wikipédia:

Thangka é uma arte religiosa que budistas usam para representar deuses, deusas, mandalas e figuras históricas. Cada deidade possui medidas geométricas exatas, estudadas e escritas em antigos manuscritos. Essas medidas são baseadas por exemplo, na astrologia, no corpo humano, nas dimensões de diversos tipos de paraísos e de infernos existentes no universo e outros cálculos secretos. Não apenas a exatidão das linhas e do tamanho das imagens que possuam grande importância simbólica, mas também suas cores, a posição do corpo e das mãos, os instrumentos exibidos e as oferendas dadas, guardam valores simbólicos.

Ou melhor, nas palavras da artista:

Thangka é uma disciplina que necessito quando a arte contemporânea já esta me levando fundo demais. Os dois extremos me trazem o equilíbrio. Thangka é como pão e arte contemporânea é a água - porem apenas o pão, o alimento torna-se seco demais…e apenas a água, não te alimenta, necessito dos dois. Disciplina e liberdade.

Não conheço a Tiffani ainda mas, pela sua biografia, parece que vai ser uma ótima experiência. O curso vai até 2010, outro caminho se iniciando, quem sabe logo eu consiga unir todos os que eu já caminhei (ou não) mas o que importa, não é? Keep going… esse é o lema!


jun 16 2009

Only a hobo…

Does it take much of a man to see his whole life go down,
To look up on the world from a hole in the ground,
To wait for your future like a horse that’s gone lame,
To lie in the gutter and die with no name?

Mendigos não dançam mais. É um fato. Hoje um dançou na minha frente. Parecia Fred Astaire… ou melhor: Gene Kelly! Sério, só que dançando chula. Ele corria de um lado à outro do canteiro central da Avenida Brasil, simbólico. A única coisa interessante no centro dessa cidade, de resto gente correndo, carros… quantos carros. Liberdade, extrema, talvez esteja pensando “sim, mas e o custo?”… como é tacanho! Livre, comendo do lixo e dançando na grama (que ninguém se atreve a pisar) enquanto outros correm de cabeça cheia, ele dança seu baile em plena Avenida Brasil, é o único que sabe que está vivo Canta ae Dylan… “Only a hobo, but one more is gone Leavin’ nobody to sing his sad song”


jun 16 2009

Estação Dante

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Virgílio apresenta Dante aos mestres clássicos…

A placa do ônibus diz “estudantes” mas eu leio “Est. Dante” (tipo ‘Estação Dante’) , por algum motivo o limpador se posicionou assim, como uma conspiração cósmica, um evento de sincronicidade junguiana para lembrar o velho Alighieri. A comédia (que é divina sim), talvez a maior obra da nossa cultura (ou uma das maiores) e tudo aquilo que não entendi mesmo depois da terceira lida, sendo uma em verso (edição bilíngue) e duas em prosa, e ainda assim, toda a atmosfera onírica que o mestre florentino consegue criar. O Bloom que diz, maior que ele só Shakespeare, mas isso só por que hoje o inglês é lingua internacional e sofremos grande influência de tudo o que vem dessa cultura… mas como sou latino, de fala, cultura e sangue, Dante é ainda o maior. Foi ele quem reuniu civilizações e culturas, que reconstruiu as pontes entre nós (isso continua válido) e os pais clássicos. A partir de Dante criou-se uma língua, e confesso que até tentei ler o original… com pouco sucesso. Todo mundo precisa de uma Beatriz, ou Beatrice, como em “Il Postino“. Tudo isso por uma placa, a grandeza das pequenas coisas.